21 de ago de 2016


O sol aparece...
O café fresco recebe o dia aflorando os pensamentos.

Os pássaros cantam juntos como se ensaiassem um coral lírico para manhã seguinte.

O carteiro esquece de se desculpar quando toca a campainha no destinatário trocado.

O menino sobe no pé de manga para pegar a pipa, a jovem mãe despreocupada grita: joga uma fruta madura!

O telefone toca várias vezes e desliga antes mesmo de ser atendido.

Assuntos triviais preenchem o tempo horas a fio, pela vizinhança.

O sol se esconde...
Os verbos indisciplinados percorrem as linhas tortas completando lacunas em branco.

Tudo vai seguindo num percurso simples e genuíno sem previsão de chegada.

Não há como pressupor o próximo parágrafo.

(Lu Nogfer)

[...]
E que seja permanente essa vontade de ir além de tudo que me espera...
(Caio Fernando Abreu)

Ótimo domingo e uma semana incrível e produtiva a todos!

21 de jun de 2016

Unhas, Dentes e Canivetes.

Alguém já disse que "o que põe o mundo em movimento é a interação das diferenças, suas atrações e repulsões...
Sábias palavras. Entretanto, para manter esta pluralidade, precisamos constantemente de paz. Mas o mundo está tão escasso de paz! Em contrapartida, em cada canto que se vá, há uma farta desavença. Sem contar as vidas que são tiradas com as próprias mãos. E às vezes, por motivos fúteis.

Um dia desses, presenciei... Não. Na verdade não presenciei. Estava distante, porém soube detalhadamente o ocorrido: um confronto entre torcidas organizadas que de tão terrível,  acabou em sangramento.

Desta feita, fico eu analisando a tamanha rivalidade entre as torcidas a qual acredito que seja muito maior que a rivalidade entre os times. Vivem numa verdadeira guerra. E pelo o que se percebe, alguns torcedores, não saem de casa com intenção apenas, de prestigiarem o time do coração.  Já saem com o único intuito de ferir alguém na pura covardia...
Se bem, que assistimos- não com tanta frequência- a violência, também, entre os jogadores em campo. O que é ridículo, mas dependendo da situação, até entendemos. Mas entre as torcidas é de fato um absurdo tanta violência!

A verdade única é que enquanto as torcidas se matam em desespero e acima de tudo, no desrespeito entre as mesmas, esquecendo até de se divertirem,  os jogadores (generalizando mesmo) trocam a camisa fácil, fácil... Não, não deve ser tão fácil... É que a bufunfa que os oferecem nesta troca é bem alta, diga-se de passagem. E a vida para eles está tão difícil! Oh,  e como está!

Acordem, torcidas! Se desarmem! Vamos aproveitar o momento de descontração para brincar mais, sorrir mais e para amar mais ao próximo. Como muito bem refletiu o escritor russo Leon Tolstoi, "só há uma coisa neste mundo, à qual vale a pena dedicar toda a sua vida. É a criação de mais amor entre os povos e a destruição das barreiras que existem entre elas."

(Lu Nogfer)

31 de mai de 2016

Mais um Pedacinho de Mim

Você é daquelas pessoas que tem pavor de recordar o passado? Pois eu, não... Se não houvesse passado, como haveria o presente?
Ah o presente... O presente é um presente!  É o milagre de cada amanhecer batendo em nossas portas, independente de dias turvos ou não. Vivamos com a graça que merecemos. Já o passado... este, de acordo com cada fase que vivemos, remete-nos a infância, a adolescência, a juventude...
Há quem diga que "relembrar o passado, é vivê-lo duas vezes."  Melhor seria entào, se relebrássemos  apenas as coisas boas. Alguns momentos, mesmo não tendo sido tão alegres, com o tempo se transformam em puro riso! É tão bom relembrar momentos que nos fazem dar boas gargalhadas! Afinal, o que se perde com isto? Nada! Só se acrescenta...
Esta breve reflexão sobre o passado, é apenas um gancho para lhes contar mais um trechinho de minha história. Adianto que não é nada demais, mas espero que gostem de ler.

 Todas as vezes que passo pelo interior do Rio e consequentemente pela casa que vivi a infância e adolescência, relembro de alguns episódios que ainda hoje me fazem rir.
Desta vez, me lembrei de alguns momentos na primeira casa nos fundos daquele enorme terreno da família que depois de muito tempo, fora loteado e construída uma nova casa na frente.

Pois bem. Minha mãe sempre foi aquela mãe amiga, mas também um pouco rigorosa. Como a antiga casa, ficava bem nos fundos do terreno, com um longo caminho a ser percorrido da varanda  ao portão, ela nos impunha a regra, que se namorássemos até tarde da noite, deveríamos nos despedir  na varanda. ( A saber, que tarde da noite para ela, era pontualmente às 22 horas. "Isto-é-incrível!!!")

Era o primeiro dia do meu primeiro namorado em casa. Aquela euforia toda que quem já viveu, o sabe muito bem.  A gente queria mais, que os ponteiros do relógio parassem... Entretanto, se para a minha mãe 10 horas da noite, era muito tarde, 9:50 ainda era cedo. Santa ingenuidade!
-Tô indo, sogrinha.
-Vai agora não, meu filho, é cedo ainda!
Ele olhou para mim com aquele ar de menino esperto e eu, cabisbaixa, retribui com um  tímido sorriso. E como, (no caso) ainda era "cedo", pude levá-lo ao portão para nos despedirmos. Aí é que vem a melhor e a pior parte.

Fomos saboreando cada passo daquele longo caminho que se tornou curto naquele momento terno e inocente. Mas para não abusar da boa vontade de minha mãe, nos exatos 10 minutos a sós, pedi ao espertinho que fosse embora. Na verdade, tive que implorar...

E agora? Eu teria que voltar sozinha naquele caminho estreitíssimo, longo e tenebroso diante a minha infantilidade. E um detalhe: se a casa ficava bem lá nos fundos, toda a extensão do terreno pela frente, era de plantações, a maior parte, de milho.
Fui caminhando rapidamente e amedrontada. Olhava para o milharal se balançando nas laterais com pouca iluminação enquanto me sentia personagem de um filme de terror...

O medo era tanto, que no meio do caminho, gritei: "MÃE!"  Da varanda, ela respondeu com a voz mais firme e acolhedora do mundo: "Tem nada aí não, menina, deixa de ser boba." E foi ao meu encontro...  porque mãe adivinha a gente. E digo mais apenas para concluir: somente crescemos e andamos com as nossas próprias pernas, depois que delas, literalmente nos distanciamos. Mãe é a melhor parte do passado, do presente...
 É amor para vida toda .

Lu Nogfer

15 de abr de 2016

Fora do Contexto


Por vezes, apenas algumas palavras ásperas, tem o poder imenso de nos arrasar. Não falo daquelas palavras que magoam sem querer por serem mal interpretadas. Falo daquela grosseria feita de propósito e sem grandes motivos, portanto, irrelevante. Mas...que gosto amargo tem!

A explicação de nos sentirmos tão destruídos ao ouvirmos uma grosseria, independente de quem a faça, talvez seja pelo fato de sermos demasiadamente sensíveis. Afinal, fomos feitos embalados pelo carinho, o qual carregamos desde que fomos formados. Nascemos com ele e vamos levando pela vida a fora. E quando somos tratados de forma totalmente contrária, os pés se desequilibram e a alma sente-se dilacerada. Pensando desta forma, torna-se normal... Porém os nossos pensamentos,  tem a capacidade  de despistar estes momentos tão ácidos, deixando vir à tona  os melhores sentimentos:

O amor incondicional doado pela nossa mãe que tem um poder incrível de nos acalentar, por ser o primeiro sentimento que recebemos, e o mais sublime de todos, é também, o primeiro que o nosso pensamento recorre. Pois o amor de mãe, é em todos os momentos, colo para o coração.

O amor de nossa vida que um dia se empenhou em nos conquistar ou vice-versa, nesses momentos também se faz fortemente presente em pensamentos,  nos pondo um leve sorriso nos lábios fazendo com que as coisas do amor sejam cada vez mais, inexplicáveis.

Aqueles amigos que nos são tão preciosos, não ficam fora dos nossos pensamentos numa situação desta, pois eles tomam sempre o cuidado para não nos ferir, o que nos deixa claro que amizade também é uma forma de amar.

E em nosso dia a dia? Quantas pessoas passam por nós, nos surpreendendo com uma gentileza qualquer, um piscar de olho, um sorriso meigo e encantador, deixando uma lembrança sempre doce em nossos pensamentos...

E assim, nessa roda viva, temos todas as boas sensações de volta, nos pondo na boca, o gosto bom da vida. E aquela tamanha grosseria que antes reclamávamos, acaba ficando fora do contexto. Perde toda a força em nosso interior, até que se dilui totalmente diante tanta doçura que somos muito mais, capazes de despertar.

Ainda bem!

 -Lu Nogfer