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19 de out. de 2016

O Amor Inteligente

"Nada é tão belo quanto cultivar relações saudáveis e nada é mais deprimente que construir relações doentes. Não há soluções mágicas, é necessário educar a emoção, equipar o intelecto.
(...)
Precisamos conhecer os papéis do Eu, que representa a capacidade de escolha. Entre esses papéis, o de ser autor da própria história, um protetor do psiquismo, um jardineiro do território da emoção,  um plantador de janelas light na memória de quem ama.

Brigar, gritar, impor ideias, nem de longe significa ter um Eu forte, mas sim frágil. Falar o que vem à mente, dizer sempre a verdade, nem sempre é a expressão de um Eu maduro, mas sim, de quem não tem autocontrole.  Um Eu forte e maduro aquieta sua ansiedade, protege quem ama, pede desculpas sem medo, aponta primeiro o dedo para si antes de falar dos erros do outro, repensa a sua história, exige menos e se doa mais, não tem a necessidade neurótica de mudar quem está a seu redor. Conhece portanto todas as letras do alfabeto do amor inteligente."

 -Augusto Cury

19 de nov. de 2014

Simples Assim!

“O caminho que eu escolhi é o do amor.
Não importam as dores, as angústias, nem as decepções que eu vou ter que encarar.
Escolhi ser verdadeira.
No meu caminho, o abraço é apertado, o aperto de mão é sincero, por isso não estranhe a minha maneira de sorrir, de te desejar o bem.
É só assim que eu enxergo a vida, e é só assim que eu acredito que valha a pena viver.”

Por Clarice Lispector


PS: Eu me identifico tanto com os escritos de Clarice e este poema me traduz tão bem. 
Porem, os escritos na Internet andam tao deturpados que nem sei se este poema é mesmo de autoria dela.

 É por isto que eu prefiro postar algo que eu tenha lido em livros ou em blogs com autorias próprias. Pois quando posto algo que li apenas na Internet, como no caso deste texto que li no Facebook, sempre fico na dúvida quanto a autoria.

E se você ler algum texto neste espaço com atribuições erradas, sinta-se a vontade para me avisar.

Grata.

Um forte abraço em todos, desta amiga!




13 de nov. de 2014

O Apanhador de Desperdícios. (Manoel de Barros)

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
(Manoel de Barros in Memórias Inventadas)

Ah! Há tanto o que se aprender com a simplicidade, não é mesmo, meu caro Manoel de Barros?!






Ele fará falta no mundo dos grandes poetas, mas quem nasceu para voar, nunca perderá suas asas.
Seu legado poético alimentará a nossa alma, o nosso coração, a nossa mente e a nossa saudade...
Descanse em paz!



27 de mai. de 2014

Vida e Viagens


Olho ao meu redor e descubro que as coisas que quero levar não podem ser levadas. Excedem aos tamanhos permitidos. Já imaginou chegar ao aeroporto carregando o colchão para ser despachado?

As perguntas são muitas...E se eu tiver vontade de ouvir aquela música? E o filme que costumo ver de vez em quando, como se fosse a primeira vez?
Desisto. Jogo o que posso no espaço delimitado para minha partida e vou. Vez em quando me recordo de alguma coisa esquecida, ou então, inevitavelmente concluo que mais da metade do que levei não me serviu pra nada. É nessa hora que descubro que partir é experiência inevitável de sofrer ausências. E nisso mora o encanto da viagem. Viajar é descobrir o mundo que não temos. É o tempo de sofrer a ausência que nos ajuda a mensurar o valor do mundo que nos pertence. E então descobrimos o motivo que levou o poeta cantar: “Bom é partir. Bom mesmo é poder voltar!” Ele tinha razão. A partida nos abre os olhos para o que deixamos. A distância nos permite mensurar os espaços deixados. Por isso, partidas e chegadas são instrumentos que nos indicam quem somos, o que amamos e o que é essencial para que a gente continue sendo. Ao ver o mundo que não é meu, eu me reencontro com desejo de amar ainda mais o meu território. É consequência natural que faz o coração querer voltar ao ponto inicial, ao lugar onde tudo começou.
É como se a voz identificasse a raiz do grito, o elemento primeiro.

Vida e viagens seguem as mesmas regras. Os excessos nos pesam e nos retiram a vontade de viver. Por isso é tão necessário partir. Sair na direção das realidades que nos ausentam. Lugares e pessoas que não pertencem ao contexto de nossas lamúrias... Hospitais, asilos, internatos...
Ver o sofrimento de perto, tocar na ferida que não dói na nossa carne, mas que de alguma maneira pode nos humanizar.
Andar na direção do outro é também fazer uma viagem. Mas não leve muita coisa. Não tenha medo das ausências que sentirá. Ao adentrar o território alheio, quem sabe assim os seus olhos se abram para enxergar de um jeito novo o território que é seu. Não leve os seus pesos. Eles não lhe permitirão encontrar o outro.
Viaje leve, leve, bem leve. Mas se leve.

(Pe. Fabio de Melo)

Que possamos diminuir o peso desnecessário para enxergarmos outras necessidades além das  nossas.

Um abraço carinhoso em toda gente atitude desta amiga!


23 de set. de 2013

A História de um Pensador.


Linhas Tortas


Alguns às vezes me tiram o sono, mas não me tiram o sonho
 Por isso eu amo e declamo, por isso eu canto e componho
 Não sou o dono do mundo, mas sou um filho do dono
 Do verdadeiro Patrão, do verdadeiro Patrono

- E aí, Gabriel, desistiu do cachê?
 - Cancelei um trabalho aí pra não me aborrecer.
 - Explica melhor, o que foi que você fez?
 - Tá, tudo bem, eu explico pra vocês:

Tudo começou na aula de português
 Eu tinha uns cinco anos, ou talvez uns seis
 Comecei a escrever, aprendi a ortografia
 Depois as redações, para a nossa alegria
 Professora dava tema-livre, eu demorava
 Pra escolher um tema, mas depois eu viajava
 E nessas viagens os personagens surgiam
 Pensavam, sentiam, choravam, sorriam
 Aí a minha tia-avó, veja só você
 Me deu de aniversário uma máquina de escrever
 Eu me senti um baita jornalista, tchê
 Que nem a minha mãe, que trabalhava na TV
 Depois, já aos quinze, mas com muita timidez
 Fiquei muito sem graça com o que a professora fez
 Ela pegou meu texto e leu pra turma inteira ouvir
 Até fiquei feliz mas com vontade de fugir
 Então eu descobri que já nasci com esse problema
 Eu gosto de escrever, eu gosto de escrever, crer, ver
 Ver, crer, eu gosto de escrever e escrevo até até poema

REFRÃO
 Meu Pai, eu confesso, eu faço prosa e verso
 Na feira eu vendo livro, no show eu vendo ingresso
 Na loja eu vendo disco, já vendi mais de um milhão
 Se isso for um crime, quero ir logo pra prisão

- Ih, pensador, isso é grave, hein!

É, vovó dizia que eu já escrevia bem
 Tentei me controlar, me ocupar com um esporte
 Surf, futebol, mas não era o meu forte
 Um dia eu fiz uns raps e achei que tava bom
 Me batizei de Pensador e quis fazer um som
 Ficar famoso e rico nunca foi minha meta
 Minha mãe já era isso, eu só queria ser poeta
 Meu pai, um homem sério, um gaúcho de POA
 Formado em medicina, não podia acreditar
 Ao ver o seu garoto Gabriel
 Com um fone nos ouvidos viajando com a caneta no papel
 - O que você tá fazendo? Vai dormir, moleque!
 - Ah, pai, peraí, eu só tô fazendo um rap!
 Ninguém sabia bem o que era, mas eu tava viciado naquilo
 E viciei uma galera!

REFRÃO

Não tô vendendo crack, não tô vendendo pó
 Não tô vendendo fumo, não tô vendendo cola
 Mas muitos me disseram que o que eu faço é viciante
 E vicia os estudantes quando eu entro nas escolas
 Até os professores às vezes se contaminam
 Copiam minhas letras e textos e disseminam
 Sementes do que eu faço, já não sei se é bom ou mau
 Mas sei que muito aluno começa a fazer igual
 Escrevendo poemas, escrevendo redações
 Fazendo até uns raps e umas apresentações
 Me lembro dos meus filhos e a saudade é cruel
 Solidão me acompanha de hotel em hotel
 Casamento acabou, eu perdi na estrada
 O amor que ainda tenho é o amor da palavra
 É falar e cantar, despertar consciências
 Dediquei a vida a isso e a maior recompensa
 É servir de referência pra quem pensa parecido
 Pra quem tenta se expressar e nunca é ouvido
 É olhar pra minha frente e enxergar um mar de gente
 E mergulhar no fundo dos seus corações e mentes
 É esse o meu mergulho, não é o do Tio Patinhas
 É esse o meu orgulho, escrever as minhas linhas
 Escrevo em linhas tortas, inspirado por alguém
 Que me deu uma missão que eu tento cumprir bem
 Escuto os corações, como um cardiologista
 Traduzo o que eles dizem como faz qualquer artista
 Que ganha o seu cachê, que é fruto do trabalho
 De cigarra e de formiga, e eu não sei o quanto eu valho
 Mas sei que quando eu ganho, divido e multiplico
 E quanto mais eu vou dividindo, mais fico rico
 Rico da riqueza verdadeira que é de graça
 Como um só sorriso que ilumina toda a praça
 Sorriso emocionado de um senhor experiente
 Em pé há duas horas debaixo do sol quente
 Ouvindo os meus poemas em total sintonia
 Eu sou ele amanhã, e hoje é só poesia.

REFRÃO...

(Gabriel O pensador)



Achei muito interessante a história do Gabriel nesse Rap.  Não conhecia!

E por falar nisso, eu não consigo entender o porquê de tanto preconceito com relação alguns gêneros musicais.
Curtir ou não curtir, tudo bem. É apenas questão de gosto. Mas preconceito?
Tudo é poesia, tudo é arte e nada tem a ver com caráter, concorda?

Um forte e carinhoso abraço em todos.




15 de jul. de 2013

Efêmero


Os ventos que as vezes tiram algo que amamos, são os mesmos que trazem algo que aprendemos a amar…
Por isso não devemos chorar pelo que nos foi tirado e sim, aprender a amar o que nos foi dado.
Pois tudo aquilo que é realmente nosso, nunca se vai para sempre…

(Bob Marley)

14 de mai. de 2013

Quer saber o que eu penso?

...Você aguentaria conhecer minha verdade?
Pois tome. Prove. Sinta.
Eu tenho preguiça de quem não comete erros.
Tenho profundo sono de quem prefere o morno.
Eu gosto do risco.
Dos que arriscam.
Tenho admiração nata por quem segue o coração.
Eu acredito nas pessoas livres.
Liberdade de ser.
Coragem boa de se mostrar.
Dar a cara a tapa!
Ser louca, estranha, chata!
Eu sou assim...
Tenho um milhão de defeitos.
Sou volúvel.
Sou viciada em gente.
E adoro ficar sozinha..
Mas eu vivo para sentir...

Por Clarice Lispector

25 de fev. de 2013

A força de dentro é maior.



...
" E lá vou eu, nas minhas tentativas, às vezes meio cegas, às vezes meio burras, tentar acertar os passos. Sem me preocupar se a próxima etapa será o tombo ou o voo. Eu sei que vou. Insisto na caminhada. O que não dá é pra ficar parado. Se amanhã o que eu sonhei não for bem aquilo, eu tiro um arco-íris da cartola. E refaço. Colo. Pinto e bordo. Porque a força de dentro é maior. Maior que todo mal que existe no mundo. Maior que todos os ventos contrários. É maior porque é do bem. E nisso, sim, acredito até o fim."

 Por Caio Fernando Abreu

8 de fev. de 2013

Confie em si mesmo!


"Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena

Acreditar no sonho que se tem

Ou que seus planos nunca vão dar certo

Ou que você nunca vai ser alguém

Tem gente que machuca os outros

Tem gente que não sabe amar

Mas eu sei que um dia a gente aprende

Se você quiser alguém em quem confiar

Confie em si mesmo

Quem acredita sempre alcança!"
(Renato Russo)

17 de jan. de 2013

Sem complicações


A gente demora pra aceitar, arruma novecentas desculpas para a falta de jeito do outro.
 Ah, ele é confuso. Ah, ele está tenso. Ah, ele tem medo. Ah, ele é maluco. Ah, ele isso. Ah, ele aquilo.
Desculpa, mas quem quer estar junto pensa:
Ah, que saudade. Ah, que falta ela me faz.
Quem gosta, gosta...
Sem complicações.
Sem armações e armaduras.

(Clarissa Correa)

2 de dez. de 2012

Há Coisas Bonitas...


Há coisas bonitas na vida.
 Bonitas são as coisas vindas do interior, as palavras simples, sinceras e significativas.
 Bonito é o sorriso que vem de dentro, o brilho dos olhos...
 Bonito é o dia de sol depois da noite chuvosa ou as noites enluaradas de verão em que todos saem de casa.
 Bonito é procurar estrelas no céu e dar de presente ao amigo, amiga, namorado...
 Bonito é achar a poesia do vento, das flores e das crianças.
 Bonito é chorar quando se sentir vontade e deixar que as lágrimas rolem sem vergonha ou medo de crítica.
 Bonito é gostar da vida e viver do sonho.
 Bonito é ser realista sem ser cruel, é acreditar na beleza de todas as coisas.
 Bonito é a gente continuar sendo gente em quaisquer situações.
 Bonito é você ser você.
 (Letícia Thompson)

Penso que o segredo em ser bonito na essência, está na autenticidade de cada um!

Abraços carinhosos a todos e um belíssimo domingo!

Lu Nogfer

25 de out. de 2012

Felicidade Clandestina


Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio
arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos
achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do
busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias
gostaria de ter: um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de
pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal
da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra
bordadíssima palavras como "data natalícia” e “saudade” .
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres.
Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma
tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses.
Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas
em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias
seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de
livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua
casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro
ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu
como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte" com ela ia se
repetir com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo
indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho.
Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer
esteja precisando danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio
de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a
nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com
enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à
porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se
refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora
mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser."
Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é
tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro
na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando
como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com
as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar
em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração
pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para
depois ter o susto de o ter. Horas  depois abri-o, li algumas linhas
maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo
comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o,
abria-o por alguns instantes. Criava as  mais falsas dificuldades para aquela
coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina
para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia
orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo,
sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.

Clarice Lispector(In Felicidade clandestina. Rocco, 1998.)

Vale a pena a coragem da persistência...
O êxtase da conquista é bem maior e tudo fica muito mais saboroso!

 Lu Nogfer


14 de set. de 2012

A História do Lápis


O menino olhava a avó escrevendo uma carta. A certa altura, perguntou:
- Você está escrevendo uma história que aconteceu conosco? E por acaso, é uma história sobre mim?
A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto:
- Estou escrevendo sobre você, é verdade. Entretanto, mais importante do que as palavras é o lápis que estou usando. Gostaria que você fosse como ele, quando crescesse.
O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.
- Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida!
- Tudo depende do modo como você olha as coisas. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, será sempre uma pessoa em paz com o mundo.
“Primeira qualidade: você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma Mão que guia seus passos. Esta mão nós chamamos de Deus, e Ele deve sempre conduzi-lo em direção à Sua vontade”.
“Segunda qualidade: de vez em quando eu preciso parar o que estou escrevendo, e usar o apontador. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas no final, ele está mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas lhe farão ser uma pessoa melhor”.
“Terceira qualidade: o lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos manter no caminho da justiça”.
“Quarta qualidade: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você”.
“Finalmente, a quinta qualidade do lápis: ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida irá deixar traços, e procure ser consciente de cada ação”.

Paulo Coelho

16 de ago. de 2012

Morre Lentamente...

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um feito muito maior que o simples fato de respirar. 
Somente a ardente paciência fará com que conquistemos uma esplêndida felicidade.

19 de jun. de 2012

Há magia nas palavras!


"Escreve. 
Seja uma carta, um diário ou umas notas enquanto falas ao telefone, mas escreve.
Procura desnudar a tua alma por escrito, ainda que ninguém leia; ou, o que é pior, que alguém acabe lendo o que não queiras.
O simples ato de escrever ajuda-nos a organizar o pensamento e a ver com mais clareza o que nos rodeia. 
Um papel e uma caneta fazem milagres, curam dores, consolidam sonhos, levam e trazem a esperança  perdida. 
As palavras têm poder."


Paulo Coelho

12 de jun. de 2012

Crônica do Amor


Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo na porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão.
O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano.
Isso só são referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante.
Você escreveu duzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam.
Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobolizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você.
Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste.
Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário.
Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro e é meio galinha.
Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca a sua nuca, você derrete feito manteiga.
Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas.
Por que você ama esse cara?
Não pergunte para mim; você é inteligente, lê livros, revistas, jornais, gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita, seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco.
Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo.
Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa.
Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente= dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC.
Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é!
Pense nisso.
Pedir é a maneira mais eficaz de merecer.
É a contingência maior do que se precisa.

Autoria atribuida a Arnaldo Jabor
Fonte:Pensador


Ah, o amor!
Sentimento que simplesmente acontece!
Inexplicavelmente!

Feliz dia dos Namorados!

Abraços!

27 de mai. de 2012

Ser Livre...



"Ser livre é não ser escravo das culpas do passado nem das preocupações do amanhã.
Ser livre é ter tempo para as coisas que se ama.
É abraçar, se entregar, sonhar, recomeçar tudo de novo.
É desenvolver a arte de pensar e proteger a emoção.
Mas, acima de tudo, ser livre é ter um caso de amor com você mesmo."

Augusto Cury.


Pois quem não ama a si próprio jamais poderá amar alguém!

Ótima semana a todos!

Forte abraço da Lu


21 de abr. de 2012

Um Papo Cabeça


Olá gente atitude!

Dia desses, liguei para uma amiguinha para desejar feliz aniversário!E sabe? Ela me pareceu estar tão preocupada por ter chegado aos trinta e cinco! 
Caramba!E daí? A gente deveria "sim" agradecer a Deus pela maturidade e "não"  ficar preocupada com velhice, voce não acha?
 Não sei se fiz bem , mas eu disse isso a ela!Sabe porque?
Porque há tantos jovens por “n” motivos que se vão tão cedo! Jovens que não tiveram tempo para saber o que é chegar aos trinta e cinco! Entao vamos aproveitar que estamos vivos e desejar chegar aos 35 , 45, 55, 65, 75 ... 
E saiba que ter medo de rugas também da rugas(risos)! Entao tire essa ruga daí e sorria!Vamos deixar a vida  acontecer, pois como dizem por aí: “Velho é o seu preconceito”!

Sabe porque contei isso aqui?Porque hoje quero deixar um texto super cabeça que fala sobre esse assunto!
Encontrei enquanto pesquisava algo bacana para enviar a aniversariante daquele dia! Ela gostou muito desse texto!
Talvez voce não concorde com tudo, pois há situações que devem ser evitadas em todas as fases, e nao apenas na adolescência!Mas penso que a escritora apenas quis dizer que é na adolescência que cobra-se tudo.Sabemos que essa é uma grande verdade!

São palavras de muita atitude! 
Espero que voce goste! 
Boa leitura!


 35 anos para ser feliz

Uma notinha instigante na Zero Hora de 30/09: foi realizado em Madri o Primeiro Congresso Internacional da Felicidade, e a conclusão dos congressistas foi que a felicidade só é alcançada depois dos 35 anos. Quem participou desse encontro? Psicólogos, sociólogos, artistas de circo? Não sei. Mas gostei do resultado.

A maioria das pessoas, quando são questionadas sobre o assunto, dizem: "Não existe felicidade, existem apenas momentos felizes". É o que eu pensava quando habitava a caverna dos 17 anos, para onde não voltaria nem puxada pelos cabelos. Era angústia, solidão, impasses e incertezas pra tudo quanto era lado, minimizados por um garden party de vez em quando, um campeonato de tênis, um feriadão em Garopaba. Os tais momentos felizes.

Adolescente é buzinado dia e noite: tem que estudar para o vestibular, aprender inglês, usar camisinha, dizer não às drogas, não beber quando dirigir, dar satisfação aos pais, ler livros que não quer e administrar dezenas de paixões fulminantes e rompimentos. Não tem grana para ter o próprio canto, costuma deprimir-se de segunda a sexta e só se diverte aos sábados, em locais onde sempre tem fila. É o apocalipse. Felicidade, onde está você? Aqui, na casa dos 30 e sua vizinhança.

Está certo que surgem umas ruguinhas, umas mechas brancas e a barriga salienta-se, mas é um preço justo para o que se ganha em troca.

Pense bem: depois dos 30, você paga do próprio bolso o que come e o que veste. Vira-se no inglês, no francês, no italiano e no iídiche, e aide quem rir do seu sotaque. Não tenta mais o suicídio quando um amor não dá certo, enjoou do cheiro da maconha, apaixonou-se por literatura, trocou sua mochila por uma Samsonite e não precisa da autorização de ninguém para assistir ao canal da Playboy. Talvez não tenha se tornado o bam-bam-bam que sonhou um dia, mas reconhece o rosto que vê no espelho, sabe de quem se trata e simpatiza com o cara.

Depois que cumprimos as missões impostas no berço — ter uma profissão, casar e procriar — passamos a ser livres, a escrever nossa própria história, a valorizar nossas qualidades e ter um certo carinho por nossos defeitos. Somos os titulares de nossas decisões. A juventude faz bem para a pele, mas nunca salvou ninguém de ser careta. A maturidade, sim, permite uma certa loucura. Depois dos 35, conforme descobriram os participantes daquele congresso curioso, estamos mais aptos a dizer que infelicidade não existe, o que existe são momentos infelizes. Sai bem mais em conta.
(Martha Medeiros)

É isso aí pessoal!
Parabéns a todos em todas as fases da vida!
Não importa a idade que esteja vivendo, eternize os seus melhores momentos em um lugar seguro: Na memória!

Costuma-se dizer que depois dos trinta o tempo passa muito rápido!
Mas e daí?Desencuca! Vamos ser felizes, né?!

Bom fim de semana a todos!

Abraços carinhosos da Lu!


29 de fev. de 2012

Metamorfose


A alma é uma borboleta...
Há um instante em que uma voz nos diz que chegou o momento de uma grande metamorfose...

(Rubem Alves)