Você é daquelas pessoas que tem pavor de recordar o passado? Pois eu, não... Se não houvesse passado, como haveria o presente?
Ah o presente... O presente é um presente! É o milagre de cada amanhecer batendo em nossas portas, independente de dias turvos ou não. Vivamos com a graça que merecemos. Já o passado... este, de acordo com cada fase que vivemos, remete-nos a infância, a adolescência, a juventude...
Há quem diga que "relembrar o passado, é vivê-lo duas vezes." Melhor seria entào, se relebrássemos apenas as coisas boas. Alguns momentos, mesmo não tendo sido tão alegres, com o tempo se transformam em puro riso! É tão bom relembrar momentos que nos fazem dar boas gargalhadas! Afinal, o que se perde com isto? Nada! Só se acrescenta...
Esta breve reflexão sobre o passado, é apenas um gancho para lhes contar mais um trechinho de minha história. Adianto que não é nada demais, mas espero que gostem de ler.
Todas as vezes que passo pelo interior do Rio e consequentemente pela casa que vivi a infância e adolescência, relembro de alguns episódios que ainda hoje me fazem rir.
Desta vez, me lembrei de alguns momentos na primeira casa nos fundos daquele enorme terreno da família que depois de muito tempo, fora loteado e construída uma nova casa na frente.
Pois bem. Minha mãe sempre foi aquela mãe amiga, mas também um pouco rigorosa. Como a antiga casa, ficava bem nos fundos do terreno, com um longo caminho a ser percorrido da varanda ao portão, ela nos impunha a regra, que se namorássemos até tarde da noite, deveríamos nos despedir na varanda. ( A saber, que tarde da noite para ela, era pontualmente às 22 horas. "Isto-é-incrível!!!")
Era o primeiro dia do meu primeiro namorado em casa. Aquela euforia toda que quem já viveu, o sabe muito bem. A gente queria mais, que os ponteiros do relógio parassem... Entretanto, se para a minha mãe 10 horas da noite, era muito tarde, 9:50 ainda era cedo. Santa ingenuidade!
-Tô indo, sogrinha.
-Vai agora não, meu filho, é cedo ainda!
Ele olhou para mim com aquele ar de menino esperto e eu, cabisbaixa, retribui com um tímido sorriso. E como, (no caso) ainda era "cedo", pude levá-lo ao portão para nos despedirmos. Aí é que vem a melhor e a pior parte.
Fomos saboreando cada passo daquele longo caminho que se tornou curto naquele momento terno e inocente. Mas para não abusar da boa vontade de minha mãe, nos exatos 10 minutos a sós, pedi ao espertinho que fosse embora. Na verdade, tive que implorar...
E agora? Eu teria que voltar sozinha naquele caminho estreitíssimo, longo e tenebroso diante a minha infantilidade. E um detalhe: se a casa ficava bem lá nos fundos, toda a extensão do terreno pela frente, era de plantações, a maior parte, de milho.
Fui caminhando rapidamente e amedrontada. Olhava para o milharal se balançando nas laterais com pouca iluminação enquanto me sentia personagem de um filme de terror...
O medo era tanto, que no meio do caminho, gritei: "MÃE!" Da varanda, ela respondeu com a voz mais firme e acolhedora do mundo: "Tem nada aí não, menina, deixa de ser boba." E foi ao meu encontro... porque mãe adivinha a gente. E digo mais apenas para concluir: somente crescemos e andamos com as nossas próprias pernas, depois que delas, literalmente nos distanciamos. Mãe é a melhor parte do passado, do presente...
É amor para vida toda .
Lu Nogfer