1 de dez. de 2014

Dezembro

"É Dezembro
O sol vem surgindo assim
Com o brilho entre as nuvens
Meio preguiçoso...
Embaçado pelas finas chuvas
Que restaram de Novembro


É Dezembro
Ele sempre chega assim
Com cheiro de mar
Com gosto de festa
Com cara de final de agenda
Com essa urgência
De finalizar as metas...
E refazer os planos

É Dezembro
Mês que da vontade
De abrir todas as cortinas da casa
As persianas da alma
E deixar o ar entrar
Para secar toda a umidade
De fora e de dentro da gente

É Dezembro
É tempo de dar geral em tudo
Trocar coisas de lugares
Arrumar todos os enfeites
Enfeitar todas as árvores
Abrir todas as gavetas
Retirar as roupas velhas
E guardar os agasalhos
Para aguardar o calor de Janeiro

É Dezembro
É tempo de deixar as dúvidas de lado
Fortalecer as certezas
Dizer que esta apaixonado
Reafirmar declarações de amor
Reforçar as amizades

É Dezembro
É hora de refletir
De deixar tudo fluir
É tempo de deixar sair
O forte cheiro de naftalina
É hora de dar adeus
Ou de desejar boas-vindas"

(Lu Nogfer)

Um lindo Dezembro a todos!!!


19 de nov. de 2014

Simples Assim!

“O caminho que eu escolhi é o do amor.
Não importam as dores, as angústias, nem as decepções que eu vou ter que encarar.
Escolhi ser verdadeira.
No meu caminho, o abraço é apertado, o aperto de mão é sincero, por isso não estranhe a minha maneira de sorrir, de te desejar o bem.
É só assim que eu enxergo a vida, e é só assim que eu acredito que valha a pena viver.”

Por Clarice Lispector


PS: Eu me identifico tanto com os escritos de Clarice e este poema me traduz tão bem. 
Porem, os escritos na Internet andam tao deturpados que nem sei se este poema é mesmo de autoria dela.

 É por isto que eu prefiro postar algo que eu tenha lido em livros ou em blogs com autorias próprias. Pois quando posto algo que li apenas na Internet, como no caso deste texto que li no Facebook, sempre fico na dúvida quanto a autoria.

E se você ler algum texto neste espaço com atribuições erradas, sinta-se a vontade para me avisar.

Grata.

Um forte abraço em todos, desta amiga!




13 de nov. de 2014

O Apanhador de Desperdícios. (Manoel de Barros)

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
(Manoel de Barros in Memórias Inventadas)

Ah! Há tanto o que se aprender com a simplicidade, não é mesmo, meu caro Manoel de Barros?!






Ele fará falta no mundo dos grandes poetas, mas quem nasceu para voar, nunca perderá suas asas.
Seu legado poético alimentará a nossa alma, o nosso coração, a nossa mente e a nossa saudade...
Descanse em paz!